Imagens da Nossa História - Mercado de Escravos








 
 

Região do Valongo

O primeiro atormentado por coceiras e que cede à necessidade de se esfregar, é velho e sem dúvida sem energia; o segundo, ainda sadio, é mais indiferente; o terceiro é de gênio triste; o quarto, paciente; o quinto, apático; os dois últimos, sossegados. Os seis do fundo, quase da mesma nação, são todos susceptíveis de fácil civilização. Os moleques, sempre amontoados no centro do quarto, nunca se mostram muito tristes. Um mineiro discute com o cigano sentado na poltrona o preço de um deles. O traje do habitante de Minas não mudou e se compõe de um grande chapéu de feltro cinzento com bordos de veludo negro presos à copa por cordões, paletó azul, colete branco, cinta vermelha, culote de veludo de algodão azul e botas moles de couro de veado com enormes esporas de prata. O desleixo do negociante corresponde à grosseria de seus costumes; ademais, a julgar pela sua tez pálida e pelo inchaço do ventre, tem ele os sintomas das doenças trazidas da costa da África, tão insalubre que as tropas estrangeiras aí só podem estacionar três anos, devendo em seguida ser substituídas por outras. O sótão gradeado, que se vê no fundo do quadro, serve de dormitório aos negros que a ele ascendem por meio de uma escada. As duas portas fechadas dão para uma alcova arejada e clareada apenas por cinco seteiras colocadas nos intervalos. A porta aberta dá para um pequeno pátio que separa o armazém da moradia onde se encontram a dona da casa, a cozinha e os escravos domésticos” (op. eU., p. 188 e 189). Aquarela de Debret, Litografia de Thierry Frêres, Paris. Foto da Biblioteca Nacional, Rio.

“Depois de desembarcados eles são levados para os depósitos e expostos. É um espetáculo triste e revoltante ver aquela massa negra de corpos, onde se distingue apenas o branco dos olhos e dos dentes. A maioria é de verdadeiros esqueletos.” (Taunay e Denis – 1824)




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