Imagens da Nossa História - Cemitérios








 
 
Sítio Arqueológico de New York

Ele foi esquecido durante cerca de dois séculos. Sua memória permaneceu soterrada, indicada apenas em velhos mapas e por esqueletos que teimavam em aparecer naquela parte da cidade, entre as ruas Broadway, Duane, Elk e Reade, dois quilômetros ao norte de Wall Street. Neste quarteirão, na ilha de Manhattan, em New York, funcionou, de 1660 a 1796, um dos maiores e mais antigos cemitérios de escravos dos Estados Unidos, numa época em que cerca de 20% da população da cidade era de africanos. Nele, foram enterrados de 10 a 20 mil pessoas, incluindo escravos, libertos, indígenas e brancos pobres.

Em maio de 1991, durante a construção de um prédio público, as máquinas passaram a desenterrar caixões e esqueletos humanos. Estudos comprovaram a existência do cemitério, mas, com a intensa urbanização ocorrida no século XIX, acreditava-se que seriam poucos os remanescentes, caso houvesse algum. Mas, os caixões e esqueletos, juntamente com outros artefatos, continuaram a surgir em números cada vez maiores.

A agência federal não quis interromper as obras. Membros da comunidade afro-americana se mobilizaram, pedindo a suspensão dos trabalhos e a realização de pesquisas mais adequadas ao local. Notícias sobre danos causados ao sítio provocaram indignação, levando a atos de protesto, manifestações públicas e outras formas de ação. Personalidades, artistas e políticos também vieram apoiar o movimento.

Em 1992, o primeiro prefeito afro-americano de New York, David Dinkins, conseguiu encaminhar a paralisação das escavações, a formulação de um novo projeto de pesquisas e a idéia da construção de um memorial adequado. No ano seguinte, o antigo cemitério de escravos de Manhattan passou a ser oficialmente considerado um patrimônio histórico nacional e municipal. Mais de 400 sepultamentos e 500 artefatos já haviam sido retirados do solo. Iniciou-se, então, um longo debate público para resolver o que deveria ser feito em seguida: prosseguir com as pesquisas ou promover novo enterro.


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