Imagens da Nossa História - Cemitérios








 
 
Os Sepultamentos

Os cadáveres, geralmente nus, eram carregados por dois outros negros, e vinham envoltos em esteiras de forma descuidada. Lançados em lugares sem covas e sem caixões, eram cobertos por um pouco de terra, e ficavam quase expostos, insepultos, exalando um forte odor desagradável. Existem relatos de que, quando carroças passavam pelas ruas, ossos humanos pulavam do chão freqüentemente.

Nos últimos anos de sua existência, entre 1824 e 1830, o cemitério, através de registros no livro de óbito da Igraja de Santa Rita (existente até hoje no Museu da Cúria-RJ), comportava cerca de 4.000 escravos pretos novos, recém-chegados da África. Junto aos registros eram informados também o nome e tipo de navios em que vieram, a marca dos proprietários e as nações e portos de origem.

Rituais de Enterro

Os rituais de enterro eram verdadeiras provas de desumanidade. Feitos apenas uma vez por semana, formavam paisagens tristes e lastimáveis. O abandono e o descaso com os corpos dos escravos era de extrema displicência.

Entre 1814 e 1815, um viajante que passou no Brasil, o G.W. Freireyss, citado por Mary Karasch, esteve no cemitério do Valongo e o descreveu como 'tendo, na entrada um homem velho em vestimentas de padre, que lia orações para as almas dos mortos, enquanto alguns negros próximo a ele tapavam 'seus compatriotas' com um pouco de terra. No meio do cemitério estava uma montanha de terra e de corpos despidos em decomposição, parcialmente descobertos pela chuva. Segundo o viajante, o 'mau cheiro' era insuportável, o que o fez supor que os mortos eram enterrados somente uma vez na semana, e que de tempos em tempos a 'montanha' de cadáveres em decomposição era queimada. Os negros vivos, segundo ele, ficavam localizados tão perto do cemitério de seus companheiros que eles também deveriam ter visto os corpos de seus compatriotas'.